O que acontece conosco quando morremos? A pessoa vai para o céu ou existe um lugar de espera?
Prezada Amiga,
Para a morte ser entendida, primeiramente a vida deve ser estudada. Deus é o criador da vida. Em Gênesis 2:7 há o relato: “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”.
O ser humano é “alma vivente”, fruto da junção do “pó da terra” com o “sopro” de Deus.
O termo sopro é traduzido do hebraico “ruach” (Velho Testamento) e do termo grego “pneuma” (Novo Testamento). Ambos se referem àquilo que é indispensável para dar vida ao corpo – O “Espírito”. Espírito, “pneuma” ou “ruach” são definidos simplesmente como “ar” ou “sopro”. Quando tal junção é desfeita, ocorre a morte.
O MOTIVO DA EXISTÊNCIA DA MORTE
Mas, por que existe a morte?
Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, dotado de livre arbítrio. Diz a Bíblia: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Genesis 2:15-17).
O que estava em jogo não era um fruto ou uma árvore, mas, a obediência a Deus. Caso não quisesse, o homem poderia afastar-se dEle – E assim o fez.
O inimigo de Deus, através de uma “serpente, disse à mulher: É certo que não morrereis” (Gênesis 3:4). E, com esse grande engano fundava o “espiritismo”. Foi através da primeira possessão que se tem registro na história e da mentira “não morrereis” que Adão e Eva comeram do fruto e levaram cativo consigo toda a humanidade. E esses princípios permanecem até dias atuais com a crença que, de alguma forma, o ser humano é imortal.
Adão e Eva não morreram imediatamente após a queda. Deus havia dito que conheceriam o bem o mal se comessem do fruto. E assim aconteceu. Presenciaram os frutos da desobediência – o sofrimento, a dor e a distância do Criador. Mas, em Deus só há verdade – Hoje eles não mais existem. O que Deus havia criado para a eternidade optara por ter um fim.
Falando sobre as conseqüências desse evento, diz Paulo: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rom 5:12).
A morte é a conseqüência do pecado. A Bíblia é clara em relação a isso: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rom 6:23). O salário do pecado não é o sofrimento eterno ou a vida eterna, mas, a morte. E, mais que isso, Deus respeita a decisão do homem, permitindo que o pecado O afaste de Suas criaturas. Mas, o afastamento é uma das causas, não a inevitável conseqüência.
Ao pecar o homem mudou sua natureza. Deus o havia criado com tendência ao bem, porém, após a queda, passou a ter tendência ao mal. E, inevitavelmente, criou-se um abismo entre o Criador e a criatura.
O ESTADO DOS MORTOS
“É certo que morrereis”. A Bíblia não deixa margem para especulações quanto à morte. O que ocorre nela? A própria Bíblia responde:
“O pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Eclesiastes 12:7). Há o “desfazimento” do processo da vida. Em Ezequiel 18:4 Deus Se coloca como possuidor das almas e é claro em determinar: “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá”.
Da mesma forma que o ser humano não existia até a sua criação, ele deixa de existir após a morte. Apenas o fôlego de vida doado pelo Criador não concede ao homem a existência. Há necessidade do corpo. O corpo do ser humano é como uma lâmpada onde o sopro de vida é a energia. A luz só é gerada com a junção dos dois componentes.
Temos em Jó 33:4 a perfeita distinção: “O sopro do Todo-poderoso me dá vida”. O sopro não é uma vida independente!
Mais que isso, as escrituras não deixam argumentos para a crença na imortalidade da alma. “Porque o que sucede aos filhos dos homens, sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: Como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó retornarão” (Eclesiastes 3:20).
Vale ressaltar: TODOS (HOMEM E ANIMAIS) TÊM O MESMO FÔLEGO DE VIDA. COMO MORRE UM, MORRE O OUTRO. A REFERÊNCIA AO ESPÍRITO É CLARA E INQUESTIONÁVEL. E, POR DERRADEIRO, É-NOS REVELADO QUE TODOS VÃO PARA O MESMO LUGAR – PROCEDEM DO PÓ E AO PÓ RETORNARÃO.
E esse posicionamento é ratificado diversas vezes: “Todavia, o homem não permanece em sua ostentação; é, antes, como os animais, que perecem” (Salmos 49:12).
“O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento é, antes, como os animais, que perecem” (Salmos 49:20).
Como animais! Que expressão! O ser humano não possui o que é atribuído apenas a Deus – A imortalidade: “… o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém! (I Timóteo 6:16).
A Bíblia nunca definiu o espírito humano como imortal. E, além disso, a mesma Bíblia é clara em afirmar que Deus é o único que possui imortalidade.
E, por amor e misericórdia, Jesus morreu na cruz. Por não ter desobedecido a Deus, Sua morte é capaz de justificar a salvação dos que nEle crerem. Deus se fez homem e o céu tocou a terra para que nEle fosse concedido salvação à raça caída. Mas, o livre arbítrio continua existindo. A vida eterna não é imposta ao homem. Também não é uma herança a que tenha direito. É uma graça mediante o evangelho pelo sacrifício de Cristo.
Falando sobre esse assunto, dizem as escrituras: “E manifestada agora pelo aparecimento de nosso salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho.” II Timóteo 1:10.
Para que serviria a imortalidade trazida por Cristo se o homem já a possuísse? “Aquele que tem o Filho, tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (João 5:12). Todos nós estamos destinados à morte, mas, a graça de Cristo é capaz de nos conceder salvação e vida eterna.
EXISTE OBRAS/CONSCIÊNCIA APÓS A MORTE?
Por mais especulações que se tenha feito sobre o assunto, Deus concedeu ao mundo tal esclarecimento: “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” (Eclesiastes 9:5-6).
Por 54 vezes a morte é chamada de “sono” pela Bíblia. É um sono profundo em que não há consciência e todos os sentimentos deixam de existir.
O livro de Salmos é repleto de esclarecimentos. O salmista questiona: “Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro, quem te dará louvor?” (Salmos 6:5).
“Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios” (Salmos 146:4).
“Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura jamais tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o lugar onde habita o conhecerá jamais” (Jó 7:9 e 10).
“A sepultura não te pode louvar, nem a morte glorificar-te; não esperam em tua fidelidade os que descem à cova. Os vivos, somente os vivos, esses te louvam como hoje eu o faço; o pai fará notória aos filhos a tua fidelidade” Isaías 38:19.
E, por fim, temos a afirmação: “Os mortos não louvam o Senhor, nem os que descem a região do silêncio” (Salmos 115:17)
Ora, se assim não fosse e os mortos continuassem vivos após a morte (gozando das bem aventuranças do céu ou, como acreditam alguns, contorcendo-se nas chamas do inferno), que necessidade haveria da ressurreição e do julgamento final amplamente divulgado pela Bíblia se a recompensa ocorre na morte?
CONSULTA AOS MORTOS
Em Deuteronômio 18: 10 e 11 é ordenado: “Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu Deus, os lança de diante de ti”.
Da mesma forma, lemos em Isaias 8:19: “… a favor dos vivos se consultarão os mortos?” A Bíblia ainda retrata a história de Saul, que consultou os mortos e teve um trágico fim.
A Bíblia não ignora as manifestações sobrenaturais que ocorrem a volta da humanidade relacionada aos mortos, porém, é expressa em dizer que é ABOMINAÇÃO AO SENHOR. Longe de ser uma obra de Deus, é uma obra do inimigo de Deus e seus anjos, que com ele foram lançados do céu.
OS MORTOS ALGUM DIA VOLTARÃO À VIDA?
Cristo deu Sua vida para salvar a raça humana. Dizem as escrituras: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
Quem terá a vida eterna? Aquele que crer no Filho unigênito de Deus. Falando sobre os que aceitaram ou aceitam a Cristo, diz Paulo:
“Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória”.
Paulo inicia o texto revelando um mistério: Nem todos passarão pela morte. Na volta de Cristo, haverá fiéis sobre a face da terra, fiéis que não experimentarão a morte por fazerem parte da última geração desse mundo. E apenas os fiéis (que estiverem vivos ou forem ressuscitados) serão transformados e revestidos de imortalidade!
Paulo continua o texto afirmando que, com essa volta de Cristo, soará a trombeta e os mortos serão ressuscitados e, em seguida, TODOS os que nEle crerem serão transformados para estarem juntos com o Senhor. Que evento extraordinário! À vista de todos – Terra e Universo.
O mais intrigante é o que Paulo diz alguns versos antes: “Se há corpo natural, há também corpo espiritual. Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O ÚLTIMO ADÃO, PORÉM, É ESPÍRITO VIVIFICANTE. MAS, NÃO É PRIMEIRO O ESPIRITUAL, E SIM O NATURAL; DEPOIS, O ESPIRITUAL” (I Coríntios 15:45-46).
Paulo é expresso em dizer que, após a vinda de Cristo, o ser humano deixará de ser alma vivente para ser “espírito vivificante. Mas, isso não ocorrerá sem que PRIMEIRO HAJA O CORPO NATURAL.
E quando tudo estiver consumado, a morte terá sido tragada pela vitória. João afirma: “Vi novo céu e nova terra… vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo” (Apocalipse 21:1-2).
Após a vinda de Cristo, Ele mesmo “enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Apocalipse 21:4).
E quanto aos que não aceitarem a Cristo? Diz a Bíblia: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno” (Daniel 12:2).
Sobre o mesmo evento, declara: “Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras” (Apocalipse 20:13).
Diz Cristo: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” Apocalipse 22:12.
A promessa para a raça humana é a mesma feita a Daniel: “Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança” Daniel 12:13. A recompensa virá após o descanso e o fim dos dias, não no momento da morte.
Concluindo, apenas com a volta do nosso Salvador é que cada um receberá o seu galardão, sendo a vida eterna a graça de Cristo, concedida apenas os justos, que serão revestidos de imortalidade mediante o evangelho.
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Abaixo enviamos as perguntas mais frequentes sobre esse assunto com as respectivas respostas:
TEXTOS UTILIZADOS POR ADEPTOS DA IMORTALIDADE DA ALMA
Em toda a história, várias tentativas foram realizadas no intuito de amparar biblicamente a teoria da imortalidade da alma. Vamos analisar os posicionamentos mais utilizados diante de todas as evidências já apresentadas.
1. Moisés e Elias apareceram para Jesus na transfiguração e isso prova que o espírito é eterno.
R: Para respondermos a essa questão, basta analisarmos a história dos dois personagens envolvidos na transfiguração que todas as dúvidas são retiradas.
Elias foi levado vivo para o céu em uma carruagem de fogo (II Reis 2:11). Sem experimentar a morte, ele representa os que estiverem vivos com a volta de Cristo, momento em que os justos serão transformados para estarem para sempre com o Senhor.
Moisés, por sua vez, passou pela morte. Porém, foi ressuscitado por Deus e levado para o céu. O relato está em Judas 1:9. Seu corpo foi disputado. Satanás não queria que fosse salvo. Moisés representa os mortos que serão ressuscitados com a vinda de Cristo.
O Evento da transfiguração narrado em Mateus 17:18 não desmente a Bíblia em relação ao estado de inconsciência dos mortos, mas, apresenta evidências do que ocorrerá com os que crerem. MOISÉS E ELIAS NÃO ESTAVAM NO EVENTO DA TRANSFIGURAÇÃO EM ESPÍRITO, MAS, TRANSFORMADOS EM SEUS PRÓPRIOS CORPOS. E isso, longe de ser uma prova da imortalidade da alma, é a maior prova que a imortalidade é condicional! Temos o mesmo exemplo também com o próprio Cristo, que ressuscitou em seu próprio corpo para então subir aos céus, deixando o túmulo vazio (Lucas 24:36-40)!
2. Cristo não deixou dúvidas quanto a existência após a morte ao contar a história do rico e do mendigo.
R: Temos a história em Lucas 16:19 em diante. Cristo conta que um rico foi para o inferno e um mendigo para o céu e, de onde estavam, era possível uma conversa. E, nesse diálogo, o rico pede para ser levado ao seio de Abraão e, ao ser negado o pedido, solicita que a mensagem seja pregada aos seus conhecidos para que não sejam levados para o mesmo lugar, e até esse pedido é negado.
A verdade é que Cristo proferiu uma PARÁBOLA, não um ensinamento ou doutrina sobre o Estado dos Mortos. Se a Bíblia é tida como única regra de fé e que nela não há contradições, nos encontramos na posição de analisar profundamente a lição que o texto trás, ou estamos condenados a rotular Deus de arbitrário. Vamos, portanto, extrair as lições que são fornecidas:
a) Após a morte não há possibilidade de salvação: “…está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós” (Lucas 16:26).
A salvação deve ser buscada individualmente até o momento da morte. Nela o destino escolhido por cada ser humano é selado. Cai por terra o purgatório e toda forma de veneração a mortos ou trabalhos para que sejam salvos após a morte.
b) Após a morte não há possibilidade de voltar para a terra: “Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16:29-31).
A única forma de um morto voltar à vida é através da ressurreição. Dessa forma, não existem os chamados “espíritos de mortos desencarnados” tão divulgados pela mídia atualmente. Eles não ajudam e nem atrapalham a raça humana. Então, quem são os responsáveis pelos fatos sobrenaturais que ocorrem? Diz Apocalipse 12:9 “E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos”. Eles são os responsáveis por todas essas manifestações demoníacas e sobrenaturais, não os seres humanos mortos.
c) O Velho Testamento é regra de fé. A instrução para os vivos é: “Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos” (Lucas 16:29). Logo, o Velho Testamento é expressamente ressaltado como instrução válida para a salvação. E, por essa instrução é impossível extrair dessa parábola imortalidade da alma.
A verdade é que essa parábola vai muito além do que os adeptos da imortalidade da alma gostariam de extrair dela. Seriam esses pontos aceitos e seguidos em sua totalidade pelos que defendem a imortalidade da alma com base nessa parábola? O Velho Testamento, frequentemente tido como inválido para os nossos dias, traz uma visão inequívoca do Estado dos Mortos e ele não foi deixado de lado ao ser proferida tal parábola. Haveria alguma diferença entre os mortos do Antigo e do Novo Testamento? Não, absolutamente! Logo, não é difícil entender que Cristo utilizou-se de um mito da época para ensinar o que pretendia.
3. Cristo pregou aos mortos em prisão e isso não teria ocorrido se não houvesse vida após a morte.
R: Diz o texto: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé… ” (I Pedro 3:18-20).
Em síntese, três conclusões são tiradas desse texto:
1. Há um lugar em que os seres humanos são levados após a morte e a salvação é estendida também para eles, tendo o próprio Cristo pregado no intervalo de Sua morte;
2. “Vivificado no espírito” representa a essência da ressurreição de Cristo, sendo melhor compreendida na tradução “vivificado pelo espírito”, como consta, por exemplo, na versão “Almeida Fiel e Corrigida”;
3. Pedro retrata a imutabilidade de Cristo, tratando o antes e o depois à ressurreição. A pregação, dessa forma, teria ocorrido também noutros tempos, não no intervalo de Sua morte, porém, no mesmo espírito.
Diante de tudo o que já expusemos até aqui e amparados até pela parábola do rico e do Lázaro (Lucas 16:26), entendemos que a primeira alternativa não interpreta corretamente o texto. Isso porque aceitá-la seria, de uma forma ou de outra, abraçar a crença no purgatório criada na Idade Média, podendo diferir em não haver venda de indulgências ou idolatria aos mortos. Além disso, não haveria nexo em acreditar que o espírito é imortal e que Cristo foi “vivificado no espírito”. Também não haveria nexo em apenas os espíritos do tempo de Noé terem obtido tal pregação, desconsiderando a justiça de Deus.
Acreditar na possibilidade de salvação após a morte é indiscutivelmente reconhecer a doutrina espírita de evolução! A Bíblia nunca permitiu a crença em tal alegoria!
Assim, entendemos que a segunda e a terceira alternativa são as mais adequadas, pois, entram em harmonia com os demais textos que retratam o Estado dos Mortos e encontram racional e justificável interpretação.
Para maiores esclarecimentos sobre o termo “no espírito”, que faz toda a diferença nesse texto, ver posicionamento Nº 5.
4. Em verdade em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso. Cristo ensinou que, ao morrer, recebemos o nosso galardão.
R: O texto no original não traz pontuação (que é uma característica da língua grega) e, para o português, várias traduções colocam a vírgula antes da palavra hoje e outras, indo além, colocam dois pontos para quebrarem a frase dando ênfase ao que se pretende. Porém, a simples análise do texto no original e do contexto Bíblico desfaz esse mal entendido.
Diz o texto original: “kai eipen autô tsb=o tsb=iêsous amên tsb=legô soi a=legô sêmeron met emou esê en tô paradeisô”.
Logo, o melhor tradução para essa frase é: Em verdade em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso. “Naquele dia” Cristo proferiu a palavra, porém, não se referindo ao cumprimento imediato. E isso é confirmado ao Cristo ter dito, após Sua ressurreição, que não havia subido para Deus (João 20:17)! Onde teria ficado o ladrão ao lado de Cristo?
NOTA: TODOS OS TEXTOS APRESENTADOS PELOS ADEPTOS DA IMORTALIDADE DA ALMA NÃO SÃO SUFICIENTEMENTE FORTES PARA FIRMAR TAL PRETENSÃO. ANTES DISSO, UM TEXTO DESMENTE O OUTRO!
Um diria que Cristo foi pregar aos espíritos em prisão durante a morte, enquanto a Parábola do rico e Lázaro afirma que não há possibilidade de salvação após a morte (além do restante da Bíblia que afirma que os mortos estão inconscientes aguardando a volta de Cristo e a ressurreição, momento em que haverá o julgamento).
Um diria que Cristo foi para o céu com o ladrão da cruz imediatamente à Sua morte e outro (Transfiguração) apresenta a necessidade de transformação do corpo para haver salvação (sem contar a afirmação do próprio Cristo que não subiu para Deus durante Sua morte e o descrito em I Cor 15:51 em diante).
5. Cristo foi explícito em dizer que o espírito reencarna ao afirmar que Elias veio no espírito de João Batista – Mateus 17:12 -13.
R: Diz o texto: “Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles. Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista”.
Muitas especulações têm sido feitas em cima desse texto. Porém, nele não há complexidade se analisado sob o panorama bíblico. Trata-se de uma profecia apresentada em Malaquias 4:5 (último livro do Velho Testamento), proferida quando Elias já havia morrido: “Eis que vos enviarei o profeta Elias antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor”.
Essa profecia realmente se cumpriu em João Batista, conforme as palavras de Cristo. Porém, de forma alguma se refere à reencarnação como alguns querem crer. Isso porque, em Lucas 1:17 lemos a explicação que esclarece esse posicionamento:
“E irá adiante do Senhor, NO ESPÍRITO E PODER DE ELIAS, para converter os corações dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado”.
“No Espírito” não tem a conotação de imortalidade da alma, muito menos de reencarnação. A Bíblia utiliza-se desse termo diversas vezes e em nenhum se pode chegar a essa conclusão (Lucas 10:21, João 11:33, Romanos 8:9, Galatas 5:16, Galatas 5:25, etc). Do mesmo modo, “No poder” significa apenas “na mesma direção”, “no mesmo objetivo”, etc. Vemos isso em várias pessagens (Lucas 4:14; Romanos 15:13, I Cor 2:5, II Cor 6:7, Colossenses 2:12, etc).
O termo “no espírito”, se mal interpretado, concede ao espiritismo todo o poder que pretende da Bíblia. O ser humano não é imortal e, ao tentar provar o contrário, inevitavelmente entra-se no campo espírita. A reencarnação e a existência do ser humano antes da criação são inevitáveis conclusões! Porém, temos a concreta afirmação que ao homem cabe morrer uma única vez (Hebreus 9:27) e que na morte não há consciência, obras ou sentimentos (Eclesiastes 9:5-6).
Dessa forma, é visível que a Bíblia é harmoniosa em si mesma, não havendo contradições e não deixando lacunas para dúvidas.
6. Paulo afirma conhecer um homem em Cristo que, catorze anos antes, havia sido arrebatado até ao terceiro céu, não sabendo distinguir se dentro ou fora do corpo. Aqui é provado que o espírito é uma essência distinta do corpo.
R. Deus se comunica com os homens através de Seus profetas. Dizem as escrituras: “Certamente, o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7).
Como Deus se comunica com Seus profetas? A própria Bíblia responde: “Então, disse: Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos” (Números 12:6).
Ainda há outras formas de Deus se comunicar com os seres humanos: Diretamente (Êxodo 33:11), através de anjos (Lucas 1:30; Atos 12:7) ou do Espírito Santo (João 14:26 e 16:13).
Porém, de todas as formas possíveis, a visão é o evento mais extraordinário no sentido de elevar, de uma forma especial, o ser humano a Deus. É um “sonho” que se tem acordado. Fica-se inconsciente para o mundo (Daniel 10:7-11).
João comenta sobre a visão do Apocalipse que lhe foi concedida: “Achei-me em espírito” (Apocalipse 1:10). Isso não significa que ele tenha morrido, mas, que de uma forma especial teve um encontro com Deus.
Será que alguém se arriscaria a dizer que o homem citado por Paulo havia morrido ao ser elevado ao terceiro céu e que depois ressuscitara? O texto não afirma tal posicionamento, que seria de tamanha relevância para ser escrito pelo apóstolo se tivesse ocorrido!
Logo, tal texto não se refere à imortalidade do espírito. Por outro lado, não demonstra que o espírito é independente do corpo – Um depende do outro. Afinal, o corpo permanece vivo durante a visão e isso seria impossível sem o espírito.
Assim, Paulo simplesmente diz não saber a forma que Deus havia se comunicado com aquele homem, se em sonho ou visão.
7. Muitas pessoas nascem pobres enquanto outras nascem ricas. Deus não seria justo se não permitisse a evolução espiritual a partir da reencarnação.
R: Aproveitando-se do fato de nascerem pessoas pobres e doentes nesse mundo, enquanto outras nascem ricas e sadias, os adeptos da imortalidade da alma encontram brecha para firmar a evolução como forma de crescimento.
Porém, diz a Bíblia: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hebreus 9:27).
Apenas esse texto desmerece qualquer comentário extra. Porém, vamos escrever mais algumas linhas apenas para demonstrar as conseqüências dessa visão:
Danos são causados ao feto por uso de anticoncepcional ou proveniente de uma queda durante a gravidez. São fatalidades que podem ocorrer – e ocorrem – antes e depois do nascimento, não se tratando de uma escolha da pessoa ainda no “outro mundo”.
A Bíblia é clara em dizer que todos pecaram e, por isso, há carência da glória de Deus. Essa terra é um mundo de pecados e suas conseqüências atingem a todos, ainda que inocentes. A morte de Jesus Cristo é o melhor exemplo dessa injustiça.
O pecado é um fato incontestável na terra e, através dele, vem a morte – O salário do pecado é a morte. Nossos primeiros pais escolheram esse caminho e, por isso, vemos o pecado, inclusive na forma de doenças geneticamente adquiridas no ventre materno, denegrindo e afetando a raça humana, deteriorando-a.
Assim, longe de ser uma “punição ou um fardo escolhido pelo pecador da vida passada”, doença, morte, infelicidade, etc., são simplesmente frutos do pecado. Não se trata de pecado cometido pela própria criança ou por uma escolha sua, mas, do amadurecimento do mal e seu resultados.
Em relação a ser rico ou pobre, com deficiências especiais ou não, lemos em I Coríntios 10:13: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar”.
Não é ser rico ou pobre, doente ou não, que impossibilita a salvação. Deus é justo e Seu julgamento é individual. Cada caso é um caso e cabe à Ele decidir o destino de cada ser humano.
8. Como haverá a ressurreição se o corpo já estará decomposto e será inexistente
R: A Bíblia é clara em dizer que Deus, em seu poder, pode todas as coisas e não cabe aos seres humanos a preocupação com o corpo em que haverá a ressurreição: “Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E em que corpo vêm? Insensato! O que semeias não nasce, se primeiro não morrer; e, quando semeias, não semeias o corpo que há de ser, mas o simples grão, como de trigo ou de qualquer outra semente. Mas Deus lhe dá corpo como lhe aprouve dar e a cada uma das sementes, o seu corpo apropriado. Nem toda carne é a mesma; porém uma é a carne dos homens, outra, a dos animais, outra, a das aves, e outra, a dos peixes. Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestiais, e outra, a dos terrestres. Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor. Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual. O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial. Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção” (I Coríntios 15:35-50).
9. Em Apocalipse 6:9-11 vemos que a alma é imortal ao dizer que as almas dos que morreram pleiteiam pela justiça de Deus.
R: Apocalipse utiliza-se de vários símbolos para a elucidação do que quer passar. No decorrer da história vários mártires perderam suas vidas pela causa de Cristo. O sangue desses mártires foi derramado assim como o sangue de Cristo e Apocalipse retrata que esse fato ainda clama por justiça perante Deus, não que os mortos estejam literalmente vivos em espírito embaixo do altar de Deus pleiteando por justiça.
Que Deus te Abençoe!
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